Para transformar, não é preciso
ser grande ou ter de esperar
uma eternidade por novos
recursos. Basta ter iniciativa. A
microempresária Vanessa
Campos, de Belo Horizonte, é
um exemplo dessa premissa.
Mesmo com uma pequena estrutura,
investe na educação
para o trabalho e no ensino tradicional
de seus funcionários.
A empresa de Vanessa, Maria
Chocolate, existe há treze
anos. Há seis, ela começou a investir
na formação escolar dos
empregados. "Nós crescemos e
então eu tive condições de fazer
algo que pudesse melhorar
o funcionamento interno. A
entidade empresarial pode ser
um grande transformador,
mas não há uma regra como
uma receita de bolo. Cabe a cada
empresário encontrar a melhor
maneira de ser um agente
social", diz Vanessa.
A Maria Chocolate costuma
dar apoio aos funcionários pagando
o ensino médio fundamental
(supletivo) e a metade
da mensalidade para os que ingressam
na universidade.
A prática vem fazendo com
que a empresa sobreviva às estatísticas.
Segundo pesquisa
realizada pelo Serviço de
Apoio às Micro e Pequenas
Empresas de São Paulo (Sebrae)
em 2001, mais de 70%
dos empreendimentos tiveram
as portas fechadas antes de
concluírem o quinto ano de
atividade.
Por ser uma empresa pequena,
com dezessete empregados,
Vanessa alerta que investe
nessa iniciativa sempre que
tem condições financeiras.
"Há dois pólos que regem o
negócio. O da maturidade do
empreendimento e o da intenção
do empresário. Eu faço,
mas tenho de me adequar
aos recursos disponíveis no
momento. Em tempos melhores,
a empresa chegou a ter
quatro funcionários na faculdade.
Hoje, temos apenas
uma pessoa. Estamos passando
por um período difícil e é
preciso se adaptar".
Resultado - O sucesso da
iniciativa também depende de
que a pessoa beneficiada aproveite
os recursos colocados à
disposição. "Muitos não reconhecem
a oportunidade. Nós
oferecemos um carrinho cheio
de ferramentas, é preciso querer
usá-las", explica Vanessa.
Jane Adélia da Silva, coordenadora
de serviços da Maria
Chocolate, é um dos exemplos
de pessoas que tiraram proveito
quando a chance apareceu.
Hoje, ela cursa Comunicação
Social em uma universidade de
Minas Gerais, com especialização
em Recursos Humanos. O
objetivo só foi alcançado graças
ao auxílio no pagamento da
mensalidade.
"Eu já tinha um enorme desejo
de fazer um curso superior,
mas tinha a limitação financeira.
Hoje, o que eu
aprendo na faculdade eu aplico
na empresa, pois fui transferida
para uma área relacionada
à que estou estudando",
disse Jane.
Mônica Silva de Melo, gerente
administrativa, é um outro
exemplo. Ela já era formada
em administração quando foi
contratada. Mas aproveitou a
abertura para o auxílio nos estudos
e resolveu fazer pós-graduação
em Recursos Humanos.
Contando com a bolsa-escola,
"encerrei o curso com
uma monografia baseada na
iniciativa da Maria Chocolate
em apoiar o desenvolvimento
pessoal e profissional dos funcionários",
conta ela.
Em paralelo ao incentivo à
formação, a empresa também
investe em palestras internas
com profissionais como médicos,
nutricionistas, psicólogos
entre outros. No ano passado,
por exemplo, um professor foi
contratado para dar algumas
aulas sobre os princípios básicos
da matemática. "As ações
são programadas de acordo
com as necessidades da empresa
ou de seus funcionários e
com as condições financeiras",
explicou Vanessa Campos.
Simbiose - Além da loja, a
Maria Chocolate também oferece
uma escola de culinária.
Os preços dos cursos são bastante
acessíveis. O que possibilita
a muitas donas-de-casa,
que representam a maior parte
desse público, terem na confecção
de produtos de chocolate
uma ajuda financeira ou até
mesmo toda a renda familiar.
"A relação entre a loja e a escola
já virou uma simbiose. A
pessoa vem em busca de uma
alternativa de renda, nós ensinamos
a técnica e ela volta para
comprar os nossos artigos que
serão usados na sua própria
produção", explica Vanessa.
Pelo visto, a parceria que vem
dando certo para ambos os lados.